Metodologia

Como acompanhamos os debates ao vivo, como a nota de cada candidato é calculada e como a redação checa o que os candidatos publicam nas redes. O método é o mesmo para todos os candidatos.

Debates ao vivo

Durante o debate, tudo é feito automaticamente, em poucos segundos ou minutos depois de cada fala. Um editor acompanha a transmissão e pode corrigir quem está falando, marcar a pergunta em vigor e ocultar ou corrigir uma checagem.

  1. Transcrição

    O áudio da transmissão é transcrito em tempo real. Cada fala fica com a hora em que foi dita no vídeo.

  2. Quem fala

    A IA identifica quem está falando: candidato, mediador, jornalista ou eleitor. Quem pergunta nunca é avaliado. O editor corrige quando a IA erra.

  3. Turnos

    Tudo o que um candidato diz em resposta a uma pergunta, do começo até a vez passar, forma um turno. Apartes curtos de outra pessoa não quebram o turno. O turno é avaliado quando termina, em geral até 1 ou 2 minutos depois.

  4. Avaliação do turno

    Cada turno recebe notas de respostas diretas, substância, clareza e respeito, e as propostas que ele contém são avaliadas uma a uma.

  5. Checagem das afirmações

    As afirmações que podem ser verificadas (números, datas, comparações, fatos) são separadas das opiniões e promessas e checadas com busca em fontes públicas.

  6. Revisão da checagem

    Cada checagem passa por uma segunda leitura automática antes de entrar na nota (detalhes abaixo).

No debate, transcrição, notas e checagens são geradas por IA e podem conter erros. Cada veredito mostra as fontes para você conferir.

O placar

A nota do debate vai de 0 a 100 e é uma média ponderada de seis métricas. Quando uma métrica ainda não tem dados, ela sai da conta e o peso das outras é reajustado.

Peso de cada métrica na nota, em pontos de 100
Métricas da nota do debate, com peso e o que cada uma mede
MétricaPesoO que mede
Veracidade35Média dos vereditos revisados: verdadeiro vale 1, impreciso 0,75, enganoso e falso 0, e mentira pesa mais na média: enganoso conta como 1,5 checagem e falso como 2. “Sem dados” fica de fora, e vereditos com pouca confiança pesam menos. Entram 3 “checagens fictícias” de nota 50, que puxam amostras pequenas para o meio. O peso dela na nota cresce com o número de checagens: quem não tem nenhuma aparece com 50, mas esse 50 não entra na nota.
Respostas diretas30Só entram os turnos que respondem a uma pergunta. A nota é a fração das partes da pergunta que foram respondidas, reduzida pelo quanto o candidato fugiu do assunto (de 0 a 10). Responder só uma de duas partes, ou responder depois de desviar, rende menos. Turno sem pergunta não entra. Turnos pesam pela duração, de 5 s a 180 s, e 20 s fictícios de nota 50 puxam poucos turnos para o meio.
Substância10Quanto o turno traz dados, propostas e fatos concretos em vez de slogans (nota de 0 a 10 vezes 10). Turnos pesam pela duração, de 5 s a 180 s, e 20 s fictícios de nota 50 puxam poucos turnos para o meio.
Propostas10Cada proposta ou promessa ganha até 4 pontos: diz o que fazer, quanto ou qual a meta, como (ou de onde vem o dinheiro) e até quando. A nota é a média das propostas do candidato, com 2 propostas fictícias de nota 50. O peso na nota cresce com o número de propostas; quem não fez nenhuma fica sem esta nota, sem ser punido.
Clareza10Quão clara e compreensível foi a resposta (nota de 0 a 10 vezes 10). Turnos pesam pela duração, de 5 s a 180 s, e 20 s fictícios de nota 50 puxam poucos turnos para o meio.
Respeito5100 menos a fração do tempo avaliado em turnos com ataque pessoal. Turnos pesam pela duração, de 5 s a 180 s, e 20 s fictícios sem ataque puxam poucos turnos para 100.

Cada turno pesa pela duração, de 5 a 180 segundos. Para que poucos turnos não decidam a nota, cada métrica começa com 20 segundos fictícios de nota 50 (no respeito, de nota 100).

A manchete só aponta quem lidera quando os dois primeiros colocados têm ao menos 3 turnos avaliados. Diferença pequena é empate técnico: menos de 3 pontos, ou mais quando há poucos turnos (10 dividido pela raiz do número de turnos de quem tem menos).

O tempo de fala soma todas as falas de cada candidato, avaliadas ou não. Ele é mostrado, mas não entra na nota.

Respostas diretas e evasão

A pergunta de um turno é a de quem conduz o debate: mediador, jornalista ou eleitor, mesmo na réplica e na tréplica. Avisos de tempo e chamadas (candidato, o senhor tem 2 minutos) não são pergunta. Num confronto direto entre candidatos, a pergunta é a provocação do outro candidato. No direito de resposta, é a acusação que gerou o direito. Turnos sem pergunta, como as considerações finais, não entram em respostas diretas.

A pergunta é dividida em partes (uma pergunta sobre segurança e maioridade penal tem duas). Responder exige posição ou conteúdo sobre a parte; mencionar o tema não basta. A nota do turno é a fração das partes respondidas, reduzida pela evasão.

Rubrica de evasão, de 0 (responde) a 10 (foge da pergunta)
0 a 2
Responde à pergunta logo no começo, de forma direta.
3 a 5
Responde, mas só depois de desviar, ou só em parte.
6 a 8
Fala de outro assunto e toca na pergunta só de passagem.
9 e 10
Não toca na pergunta: contra-ataca, adia ou faz campanha.

Quando há evasão, a análise diz o tipo (contra-ataque, adiamento, troca de tema ou generalidade) e mostra o trecho que responde à pergunta, ou avisa que ela não foi respondida.

  • Substância. Dados, propostas e fatos concretos em vez de slogans. Proposta vaga (vou cuidar da saúde) não conta como substância.
  • Clareza. Quão fácil é entender a resposta.
  • Respeito. Fração do tempo em turnos sem ataque pessoal.

Propostas

Promessas não podem ser checadas, mas dá para medir o quanto são concretas. Cada proposta ganha um ponto para cada coisa que diz:

CritérioConcreto, ganha o pontoVago, não ganha
O quêConcretoprontuário único no SUSVagovou cuidar da saúde
Quanto ou metaConcretomeio milhão de vagasVagomais vagas
Como (ou de onde vem o dinheiro)Concretousando o espaço de R$ 200 biVagotem dinheiro
Até quandoConcretoaté 2028Vagosem prazo

A nota de propostas é a média das propostas do candidato, com 2 propostas fictícias de nota 50. O peso dela cresce com o número de propostas; quem não fez nenhuma fica sem esta nota, sem ser punido. Ataques disfarçados de proposta não contam.

Checagens no debate

Durante o debate, a IA pesquisa fontes públicas e dá um veredito a cada afirmação checável. Em seguida, uma segunda leitura revisa cada checagem:

  • Afirmações compostas são divididas em fatos menores. Se o fato central é falso, o veredito é falso, mesmo que o contexto seja verdadeiro; se o fato central é verdadeiro e um detalhe está errado, é impreciso.
  • Se não há fonte para o fato central, o veredito é sem dados: contexto verdadeiro não confirma o que a afirmação diz.
  • A explicação e os números precisam sustentar o veredito.
  • Afirmações parecidas na mesma fala não podem ter vereditos que se contradizem.
  • Veredito falso ou enganoso sem fonte que o sustente vira sem dados.
  • Quando a revisão muda o veredito, o cartão mostra o selo revisado e o motivo.
  • Afirmação repetida aponta para a checagem original. Checagem corrigida pelo editor fica como o editor deixou.

Na veracidade vale o veredito revisado: verdadeiro vale 1, impreciso 0,75, enganoso e falso 0 (na média, enganoso conta como 1,5 checagem e falso como 2); sem dados fica de fora; veredito com pouca confiança pesa menos; entram 3 checagens fictícias de nota 50; e repetir uma afirmação falsa ou enganosa conta de novo.

Checagens das redes

Fora dos debates, a redação checa o que os candidatos publicam nas redes. Aqui a IA só ajuda: cada checagem publicada é decidida e aprovada por pessoas.

  1. Captura

    Os posts oficiais dos candidatos são coletados nas plataformas que permitem, e a redação envia o link das demais. Guardamos o texto, a transcrição do vídeo e uma cópia arquivada, para que a prova continue existindo mesmo se o post for editado ou apagado.

  2. Extração e triagem

    A IA separa as afirmações que podem ser verificadas (números, datas, comparações e fatos) e deixa de fora opinião e promessa. Cada afirmação recebe uma nota de checabilidade e de dano potencial.

  3. Memória de checagens

    Quando um candidato repete algo que já checamos, o novo post vira mais uma ocorrência da mesma checagem e o veredito publicado vale para ele. Todas as ocorrências aparecem na página, com o link do original e da cópia arquivada.

  4. Primeira checagem assistida por IA

    A IA pesquisa fontes, divide a afirmação em fatos menores e propõe um rascunho. O rascunho nunca é publicado sozinho.

  5. Redação, em duas etapas

    Um editor assume a checagem, escreve o veredito, a explicação e as fontes, e a envia para revisão. Outro editor, sempre uma pessoa diferente, aprova e publica ou devolve com observações. Todas as etapas ficam registradas.

  6. Publicação

    Cada checagem tem uma página própria, com marcação ClaimReview (schema.org), que buscadores e plataformas leem.

O que escolhemos checar

A fila de checagens é ordenada por três critérios, aplicados a todos os candidatos da mesma forma:

  • Checabilidade. A afirmação precisa tratar de um fato que se possa confirmar ou desmentir com fontes públicas.
  • Alcance. Quanto mais gente vê o post, mais cedo ele sobe na fila.
  • Dano potencial. Afirmações que podem causar prejuízo (saúde, segurança, o processo eleitoral) têm prioridade.

Opiniões, promessas e previsões não são checadas. Nem tudo o que é checável é publicado: a redação decide o que entra.

Os vereditos

A mesma escala vale para o debate e para as redes. Na marcação ClaimReview, cada veredito vira uma nota de 1 a 5, e o nome do veredito acompanha a nota.

  • Verdadeiro

    Verdadeiro. O dado confere com fontes confiáveis.

    Nota na marcação: 5 de 5.

  • Impreciso

    Impreciso. Há base, mas números, datas ou contexto estão errados ou incompletos.

    Nota na marcação: 4 de 5.

  • Enganoso

    Enganoso. O dado é real, mas apresentado de forma que leva a uma conclusão equivocada.

    Nota na marcação: 2 de 5.

  • Falso

    Falso. Contradiz o que mostram as fontes confiáveis.

    Nota na marcação: 1 de 5.

  • Sem dados

    Sem dados suficientes. Não foi possível encontrar fonte confiável para confirmar ou negar.

    Nota na marcação: 3 de 5 (ponto médio; não é uma nota de veracidade).

Política de correções

Errar faz parte do trabalho; esconder o erro, não. Depois de publicada, toda mudança de veredito ou de texto gera uma correção pública, com data e explicação, mostrada na própria página da checagem. A data de atualização também fica visível.

No debate ao vivo, o editor pode corrigir ou ocultar uma checagem durante a transmissão; a nota é recalculada na hora.

Se encontrar um erro, ou tiver uma fonte que contradiga uma checagem, avise a redação. Toda contestação com fonte é analisada.

Imparcialidade

Os mesmos critérios, a mesma rubrica e os mesmos pesos valem para todos os candidatos. As cores identificam os candidatos, nada mais.

Nas checagens das redes, valem a mesma triagem, a mesma escala e o mesmo rito de revisão. A contagem de vereditos na página de cada candidato mostra apenas o que foi checado e publicado. Ela não é um placar nem uma nota, porque a seleção do que checar depende de alcance e dano, não de equilíbrio entre candidatos.

Compromisso com as fontes

Cada checagem lista as fontes consultadas, sempre públicas, para que qualquer pessoa possa conferir o raciocínio por conta própria. Quando não encontramos fonte confiável para confirmar ou negar uma afirmação, dizemos isso com todas as letras, em vez de arriscar um veredito.

Ver as checagens

Histórico do método

Até o debate da Band de 18 de outubro de 2026, o placar ao vivo usava a primeira versão do método (v1): cada pedaço de fala recebia uma nota, com cinco métricas (veracidade 40, respostas diretas 25, substância 20, clareza 10, respeito 5), e as checagens não passavam pela revisão. Desde então, todos os debates usam o método descrito nesta página. Nos debates que aconteceram com a v1, a página do debate mostra as duas leituras e o que mudou entre elas.

O que mudou

  1. Nota por resposta inteira

    Antes, cada pedaço de fala recebia uma nota. Agora o que o candidato diz em resposta a uma pergunta, do começo até a vez passar, vira um turno só e recebe uma nota. Uma resposta longa que demora a chegar ao ponto deixa de ser vista em pedaços soltos.

  2. A pergunta certa

    A pergunta é a de quem conduz o debate (mediador, jornalista ou eleitor), mesmo na réplica e na tréplica. Avisos de tempo e chamadas (“candidato, o senhor tem 2 minutos”) não contam como pergunta. Num confronto direto, a pergunta é a provocação do adversário. Sem nenhuma das duas, como nas considerações finais, o turno não entra em respostas diretas.

  3. Rubrica de evasão

    A evasão agora tem uma escala com nome: de 0 a 2 responde logo e direto; de 3 a 5 responde depois de desviar ou só em parte; de 6 a 8 fala de outro assunto e toca no tema de passagem; 9 e 10 não toca. Quando há evasão, a nota diz o tipo (contra-ataque, adiamento, troca de tema ou generalidade) e mostra o trecho que responde, ou que não respondeu.

  4. Propostas

    Promessas e propostas passam a ter nota própria, de 0 a 4: o quê, quanto ou meta, como (ou de onde vem o dinheiro) e prazo. Proposta vaga, sem número nem prazo, vale pouco; proposta que diz tudo isso vale muito.

  5. Checagens revisadas

    Cada checagem foi revisada: afirmações compostas são divididas em fatos, a explicação precisa sustentar o veredito, afirmações irmãs não podem se contradizer e veredito falso ou enganoso sem fonte vira “sem dados”. Quando o veredito muda, o cartão mostra o selo “revisado” e o motivo.

Ver o debate da Band com as duas versões